Entrevista realizada com Professor Mestre Licko Turle ele é diretor professor teatral, trabalhou diretamente com o teatrologo Augusto Boal e Amir Haddad, faz parte da história do teatro de do oprimido e teatro de rua é autor da Poetica do teatro do oprimido e a Poesia da Negritude é articulador da rede brasileira de teatro de rua
Eu tenho hoje a oportunidade de trabalhar com este grande profissional, homem preto com carisma suave e humor tipico de um virginiano que adora um bom papo, participo de um grupo chamado GESTO ( Grupo de estudos superiores do Teatro do oprimido) onde Licko é nosso orientador pedagógico. Conforme as palavras dele ele tem uma divida com o Teatro do oprimido que até hoje não foi aceito pelas universidades de artes cênicas brasileiras como uma matéria obrigatória e fundamental para o desenvolvimento do ator, principalmente aquele que irá trabalhar com a licenciatura, então fundamamos este grupo de estudos, para Licko o importante é o desafio depois que estrutura, ele inventa outra coisa para estruturar, assim foi com Teatro do oprimido com o Tá na Rua no qual ele trabalhou neste processo de desenvolver e chegar no nível de reconhecimento que as duas instutições possuem.
1- O que é ser professor no Brasil
Eu posso falar da minha realidade e um pouco do que leio na mídia e na internet, existem vários tipos de professores. Os de escola pública, particular, universitários e autônomos, etc. Eu sou de escola pública. O maior problema é a questão salarial e as condições precárias de trabalha. Dizem que em todo o mundo é a mesma coisa. Na França, no México, na India... Um dos desvios de função que a escola sofreu nos últimos anos foi a visão que a sociedade tem de que a escola deve ser uma creche, um presídio, um depósito de crianças e adolescentes. Eles ficam confinados e a energia explode em diversas ações como a violência.
2- O que é ser artista no Brasil?
O Brasil é um país de dimensões continentais e de realidades diversas. e necessário fazer um recorte socio-econômico. Trabalhar no eixo Rio x São Paulo é uma coisa. Trabalhar no Centro-Oeste é diferente e mesmo lá ou aqui , há subdivisões. A função do artista é social e pública como a do médico, do professor, do gari. O problema do salário e das condições de trabalham variam de região para região.
3- O que podemos desenvolver com arte educação?
A arte tem a função de desenvolver o pensamento sensível, a reflexão sobre a realidade e propiciar o prazer estético aos alunos,
4- Como o teatro do oprimido pode contribuir com a arte educação?
O teatro do oprimido não é diretamente arte educação. Foi criado para libertar as pessoas da opressão social, política, econômica, etc. Mas, como é teatro cumpre a sua função como trabalho coletivo, jogos de socialização, dinâmicas de grupo, criação de personagens, dramaturgia, etc.
5- Como foi trabalhar com Augusto Boal?
Foi importante para mim por ser negro e oriundo de classe social baixa e morador da periferia. Descobri que existem possibilidades concretas de que fugir ao meu destino trágico de mão-de-obra barata, carne negra para consumo da elite dominante do país. Boal me profissionalizou como artista e professor. Minha alto-estima subiu muito. Ele me levou para a Europa e pela primeira vez eu vi o mundo, a terra, azul e redonda. Bonita.
6- O que você acha do teatro do oprimido para crianças?
Nunca utilizei com crianças. Sei que o método não foi feito para elas porque não deveriam ser oprimidas nas tenras idades... mas sabemos que não é bem assim. Gostaria de ver como funciona. Sei que alguns excercícios que pareçam jogos teatrais ou piques funcionam. Aqueles que tem toque físico são mais complicados.
7-O que mais te marcou na idade escolar?
O baixo número de pessoas negras nas turmas.
8-Havia aulas de teatro na sua escola?
Não. artes era desenho.
9- Qual foi a escola que estudou no ensino médio e fundamental?
O ensino médio foi no colégio particular Arte & Instrução em Casacadura, suburbio da cidade. Como faltavam vagas na escola pública , o governo pagou para mim esta particular. Era uma boa escola.
10- Conte para nós um fato que marcou seu ensino médio?
Era um colégio só para homens. Na época do vestibular eu não sabia o que fazer. todos eles iriam tentar advocacia, medicina, engenharia. eu não sabia o que queria. Tentei alguma cois que não lembro para a UFRRJ. O fundamental foi em várias escolas públicas.
11- Existe algum objeto da sua trajetória escolar que você tenha guardado?
Não.
12- O que mais admirava na escola?
Os professores.
13- A sua escolha como docente tem referencias com a sua trajetória escolar? Conte-nos o qual foi a referência?
Não. Eu fiz Letras porque gostava de fazer música. a minha família era composta por músicos populares.
14- Você foi um bom aluno?
Não sei o que é um bom aluno. Era mediano, gostava de me agrupar, jogar bola, totó, estas coisas.
15-O que mais te marcou como professor?
Trabalhar no presídio da Frei Caneca. Foi uma experiência única.
16- Há quanto tempo está lecionando?
Desde 1993.


