quinta-feira, 9 de junho de 2011

Entrevista de Priscila












Entrevista realizada com Professor Mestre Licko Turle ele é diretor professor teatral, trabalhou diretamente com o teatrologo Augusto Boal e Amir Haddad, faz parte da história do teatro de do oprimido e teatro de rua é autor da Poetica do teatro do oprimido e a Poesia da Negritude é articulador da rede brasileira de teatro de rua








Eu tenho hoje a oportunidade de trabalhar com este grande profissional, homem preto com carisma suave e humor tipico de um virginiano que adora um bom papo, participo de um grupo chamado GESTO ( Grupo de estudos superiores do Teatro do oprimido) onde Licko é nosso orientador pedagógico. Conforme as palavras dele ele tem uma divida com o Teatro do oprimido que até hoje não foi aceito pelas universidades de artes cênicas brasileiras como uma matéria obrigatória e fundamental para o desenvolvimento do ator, principalmente aquele que irá trabalhar com a licenciatura, então fundamamos este grupo de estudos, para Licko o importante é o desafio depois que estrutura, ele inventa outra coisa para estruturar, assim foi com Teatro do oprimido com o Tá na Rua no qual ele trabalhou neste processo de desenvolver e chegar no nível de reconhecimento que as duas instutições possuem.



1- O que é ser professor no Brasil




Eu posso falar da minha realidade e um pouco do que leio na mídia e na internet, existem vários tipos de professores. Os de escola pública, particular, universitários e autônomos, etc. Eu sou de escola pública. O maior problema é a questão salarial e as condições precárias de trabalha. Dizem que em todo o mundo é a mesma coisa. Na França, no México, na India... Um dos desvios de função que a escola sofreu nos últimos anos foi a visão que a sociedade tem de que a escola deve ser uma creche, um presídio, um depósito de crianças e adolescentes. Eles ficam confinados e a energia explode em diversas ações como a violência.




2- O que é ser artista no Brasil?



O Brasil é um país de dimensões continentais e de realidades diversas. e necessário fazer um recorte socio-econômico. Trabalhar no eixo Rio x São Paulo é uma coisa. Trabalhar no Centro-Oeste é diferente e mesmo lá ou aqui , há subdivisões. A função do artista é social e pública como a do médico, do professor, do gari. O problema do salário e das condições de trabalham variam de região para região.



3- O que podemos desenvolver com arte educação?



A arte tem a função de desenvolver o pensamento sensível, a reflexão sobre a realidade e propiciar o prazer estético aos alunos,




4- Como o teatro do oprimido pode contribuir com a arte educação?

O teatro do oprimido não é diretamente arte educação. Foi criado para libertar as pessoas da opressão social, política, econômica, etc. Mas, como é teatro cumpre a sua função como trabalho coletivo, jogos de socialização, dinâmicas de grupo, criação de personagens, dramaturgia, etc.




5- Como foi trabalhar com Augusto Boal?



Foi importante para mim por ser negro e oriundo de classe social baixa e morador da periferia. Descobri que existem possibilidades concretas de que fugir ao meu destino trágico de mão-de-obra barata, carne negra para consumo da elite dominante do país. Boal me profissionalizou como artista e professor. Minha alto-estima subiu muito. Ele me levou para a Europa e pela primeira vez eu vi o mundo, a terra, azul e redonda. Bonita.



6- O que você acha do teatro do oprimido para crianças?

Nunca utilizei com crianças. Sei que o método não foi feito para elas porque não deveriam ser oprimidas nas tenras idades... mas sabemos que não é bem assim. Gostaria de ver como funciona. Sei que alguns excercícios que pareçam jogos teatrais ou piques funcionam. Aqueles que tem toque físico são mais complicados.




7-O que mais te marcou na idade escolar?




O baixo número de pessoas negras nas turmas.



8-Havia aulas de teatro na sua escola?


Não. artes era desenho.




9- Qual foi a escola que estudou no ensino médio e fundamental?




O ensino médio foi no colégio particular Arte & Instrução em Casacadura, suburbio da cidade. Como faltavam vagas na escola pública , o governo pagou para mim esta particular. Era uma boa escola.





10- Conte para nós um fato que marcou seu ensino médio?




Era um colégio só para homens. Na época do vestibular eu não sabia o que fazer. todos eles iriam tentar advocacia, medicina, engenharia. eu não sabia o que queria. Tentei alguma cois que não lembro para a UFRRJ. O fundamental foi em várias escolas públicas.




11- Existe algum objeto da sua trajetória escolar que você tenha guardado?

Não.



12- O que mais admirava na escola?

Os professores.



13- A sua escolha como docente tem referencias com a sua trajetória escolar? Conte-nos o qual foi a referência?



Não. Eu fiz Letras porque gostava de fazer música. a minha família era composta por músicos populares.



14- Você foi um bom aluno?

Não sei o que é um bom aluno. Era mediano, gostava de me agrupar, jogar bola, totó, estas coisas.



15-O que mais te marcou como professor?

Trabalhar no presídio da Frei Caneca. Foi uma experiência única.



16- Há quanto tempo está lecionando?



Desde 1993.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Entrevista de Keity Marques

Entrevista com a professora Priscila Omena, 29 anos. Trabalha no magistério há 9 anos.

Graduada em letras ( Port./Lit.)

Como muitos professores, assim que iniciou no magistério sentiu dificuldade. A escola era em área de risco, a sensação era que as crianças não tinham o “hábito” escolar. Os alunos pulavam o muro, não tinham noção de regra de convivência.

Sua maior dificuldade foi a falta de compromisso da família. O sistema paternalista do governo parece contagiar, levando-os a achar que a escola é fornecedora de toda a educação.

Apesar das dificuldades iniciais, a professora pôde aprender a lidar com as diferenças humanas, a tão falada diversidade. Descobriu na área da educação especial uma atividade prazerosa e se ESPECIALIZOU.

Ao término pensou em sonhadas melhorias, como verdadeiras capacitações por parte da prefeitura, melhor condição de trabalho e viabilização de recurso.

Percebi que melhorias podem acontecer a partir de capacitações profissionais. As vezes o professor desconhece, ou não compreende a realidade do seu público. Não que o professor possa ser um super heroi, mas o seu preparo intelectual e até mesmo emocional faria alguma diferença em seu ambiente escolar.

Entrevista de Bruno Baptista A. L. de Lima



Cartaz de show de Ary Domingues e sua irmã, Hilda Domingues, datado de 1994.






Meu entrevistado foi o músico Ary Domingues, de 57 anos, morador de Jacarepaguá. Ary leciona há 33 anos, aproximadamente. Na entrevista, ele deixa claro que começou a dar aulas por precisar de dinheiro para sustentar-se, não havendo em um primeiro momento qualquer aspecto ideológico em relação à prática docente e sua importância.

Ary fez curso de mecânica no colégio Visconde de Mauá. Não gostava desta área e pensou na hipótese de dar aulas de violão. Apenas pensou, já que ainda não se sentia preparado o suficiente para tal. Antes de tomar qualquer decisão, perguntou a opinião de seu professor - precisava saber de alguém mais embasado se já possuía conhecimento suficiente para ensinar. Recebeu um “sim” como resposta e começou, aos trancos e barrancos. Precisou inclusive do auxílio de um amigo para planejar a primeira aula. Só depois de alguns anos dedicou-se à graduação musical na FEFIERJ, atual Uni-Rio, embora não tenha terminado.

Seu aprendizado do exercício docente deu-se ao mesmo tempo em que o colocava em prática, num processo mútuo de troca entre aluno e professor. Sempre deu aulas individuais, o que na sua opinião tornou sua trajetória mais tranqüila no que tange a indisciplinas, evitou que passasse por situações de conflito comuns em uma sala de aula.

Embora tenha ingressado na carreira de professor sem o élan da função social que cerca esta profissão, acredita sim que o docente é responsável por transmitir valores de cidadania e respeito, não devendo restringir-se à mera reprodução do conhecimento que leciona. Sempre que pode, orienta seus alunos em assuntos importantes como drogas.

Ary também julga necessário conhecer seus alunos, saber seus gostos, influências, expectativas, de onde vêm e onde querem chegar.

A reflexão que trago desta entrevista é sobre o desmonte da figura do professor como algo “engessado”, único detentor do conhecimento, distante dos alunos devido a uma hierarquia imposta, sem a necessidade de aprender ao mesmo tempo em que ensina. A trajetória de Ary nos mostra que é sim possível que haja esta interação professor-aluno de forma que ambos aprendam, o que só ajuda na evolução da prática docente que o professor utiliza.